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*Thaís Raeli

Coincidência ou não, o Dia do Servidor Público, comemorado no dia 28 de outubro, também é a data próximo ao meu aniversário de dois anos como militante do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT). Enquanto somos só usuários do sistema,  enumeramos infinitas críticas ao funcionamento da máquina e isso reflete nos trabalhadores que estão lá, todos os dias, na linha de frente dessa luta.

Quando passamos a conhecer o outro lado, vemos o quanto é difícil ser servidor e refém de um  Governo que trabalha sem pensar em seus setores produtivos. São trinta órgãos federais que pude conhecer a realidade, além dos demitidos e anistiados do governo Collor e dos aposentados e pensionistas que também querem sua cidadania na paridade salarial com os que estão na ativa.

Lembro-me que entre tantas bandeiras de luta, como o sucateamento dos órgãos  e os planos de carreira, tenho de uma que desde junho de 2008, para mim, se tornou a principal delas:  O Assédio Moral.  Psicólogos defendem que as agressões, no assédio moral, são frutos de um processo inconsciente de destruição emocional, constituindo-se de atos hostis, de um ou vários indivíduos sobre um indivíduo específico, por meio de palavras, alusões, sugestões de “não-ditos”.

Trata-se de um crime silencioso que quase nunca tem testemunhas, que também tem como pano de fundo o machismo, a homofobia ou o racismo. O constrangimento moral pode gerar várias doenças, como estresse, síndrome de burnout, depressão, distúrbios cardíacos, endócrinos e digestivos, alcoolismo, dependência de drogas, dentre outras. A vítima pode se sentir tão acuada que pode tentar até o suicídio.

Nesse cenário, a calúnia - que é uma afirmação falsa e desonrosa a respeito de uma pessoa - consiste em atribuir, falsamente, a responsabilidade pela prática de um fato definido como crime, feita com má-fé. Pode ser verbalmente, de forma escrita, por representação gráfica ou internet. Unido a calúnia vem a difamação, que é um termo jurídico que consiste em atribuir à alguém fato determinado ofensivo à sua reputação, honra objetiva, e se consuma, quando um terceiro toma conhecimento do fato.

Tanto no setor público quanto no setor privado, o assédio moral cada vez mais atinge os milhares de trabalhadores que são reféns de uma situação pelo medo de perder o emprego, pelo grau de subordinação, por perseguições políticas, entre outros fatores.  Segundo a doutores em saúde pública,  a vítima tem características que são ameaçadoras para o “assediador”, como competência e experiência. No serviço público, os cargos ocupados por indicados políticos se misturam aos funcionários de carreira e ocorre a “briga pelo poder” e a necessidade de auto-afirmação para se manter no posto, ou seja, a intenção é eliminar o colega de trabalho do ambiente para que ele não se destaque mais.

Outras formas de cometer esse crime é não oferecer condições de trabalho, colocar o servidor em situação de risco, atribuir a ele funções além de seu conhecimento ou em demandas impossíveis de serem cumpridas no tempo estabelecido. 

Nessa árdua luta dos federais que matam um leão por dia para fazer o sistema funcionar, surge um indicativo de manifestação, que entre outros temas, inclui as condições emocionais e a qualidade de vida. Então, nesse dia do servidor, desejo aos colegas da Funasa, Conab, Incra, Delegacia Regional do Trabalho e de todas as superintendências ministeriais, muita sucesso nessa luta e não desistam jamais.

*Thaís Raeli, jornalista e militante do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT)

Publicado em 28/10/2009

 

        

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